No começo eram só águas desgovernadas
Ufa! Finalmente, depois de tanta mobilização no Twitter, estou aqui conseguindo escrever esse post inaugural do Projeto Enchentes. Nome provisório, layout inacabado, menu incompleto. Porque em momentos de emergência não dá para ficar sentado esperando tudo sair lindo e perfeito como a gente quer. Nessas horas, o importante é começar. E é isso o que estamos fazendo agora. Começando um projeto totalmente colaborativo, na internet, com o objetivo de prestar serviços de informação e de conexão às cidades e pessoas que vêm enfrentando as enchentes dos últimos dias.
Ontem, por volta das 23h, assistindo ao telejornal, vi cenas comoventes dos desabamentos de terra e águas em profusão que mataram pessoas. Muitas estavam dormindo no aconchego do seu lar. Muitas da mesma família ou grupos de amigos. Ao ouvir os relatos dos sobreviventes, pensei: “Já imaginou o que deve sentir uma pessoa que perde vários membros da família de uma só vez?” Não consegui nem mesmo vislumbrar uma dor assim. E minha única reação foi passiva: chorar.
Em seguida, olhei ao meu redor e lá estava eu abrigada, alimentada, na segurança da minha casa. E a poucos passos de um computador com banda larga. Foi quando me bateu uma revolta: “Para que mesmo servem as redes sociais, das quais, nós, publicitários, jornalistas e blogueiros nos orgulhamos tanto?” Quais funções realmente úteis elas teriam?
E lá fui eu para o Twitter. Comecei com esses questionamentos simples. Confesso que no começo me senti meio boba. Aquela que tem a pretensão de querer algo maior do que si mesma. E com um tantinho de vergonha, mas de forma assertiva e determinada, arrisquei minhas reflexões nos 140 caracteres.
E aí veio o mais legal: a reação das pessoas foi muito além do que eu imaginava. E em poucos minutos já havia duas hashtags rolando no Twitter. A primera: #enchentes. E uma evolução dela: #projetoenchentes.
Pronto. Eu não estava mais solitária nos meus devaneios de fazer algo, seja lá o que fosse, que pudesse ajudar, de alguma forma que fosse, aquela situação dramática.
Deixei claro logo de começo que não queria fazer assistencialismo nem caridade. Que a idéia era prestação de serviço, dentro das nossas possibilidades como profissionais da comunicação, no ambiente mais revolucionário dos últimos séculos: a internet.
Se eu fosse médica, poderia ajudar prestando serviço voluntário às vítimas. Mas sou publicitária. E nos últimos tempos tenho evitado me definir como tal, preferindo dizer que sou profissional da comunicação. O que é verdade. Mas gostaria de voltar a usar a palavra “publicitária” com mais orgulho.
Então, se sou publicitária (ou profissional da comunicação) é com esse conhecimento que posso ajudar. Eu sei escrever, articular ideias, mobilizar pessoas, informar, arranjar essas informações em um pacote e levar esse pacote a quem precisa. Além de receber e organizar as informações que os outros me trazem.
Mas tudo isso ainda é pouco perto do servição a ser feito. É preciso uma soma de outros saberes e disponibilidades. Sozinha eu não posso nada. Só chorar e lamentar. E isso, definitivamente, não é o que quero.
Depois de meia dúzia de tweets ao vento, lá veio o @micaelsilva se oferecer para fazer a plataforma, onde colocaríamos em prática as ideias, que também vieram de todos os lados.
Lá veio o @caribe, a @PatiSanches, o @jeffpaiva, a @ma_rodrigues, o @diegocasaes, a @vivianf, a @saritabastos, a @rosana, a @DanielaAF, o @AndrePaxeco, a @anarina, o @redator, a @Laura_Diz e MUITOS outros se oferecendo para participar de algum jeito (não dá para colocar todo mundo num só parágrafo).
Foi eu falar que precisávamos de um mapa sinalizando as áreas inundadas, as áreas de risco, os abrigos, os desabamentos nas estradas etc para o @ikegalli trazer em poucos minutos o mapa já com algumas sinalizações.
Então, gente, estamos assim: no começo de uma mobilização em que a participação de TODOS é bem-vinda. Vamos fazer o que pudermos. Se isso ajudar, será sensacional. Se não (o que não acredito), teremos feito nossa parte como profissionais e cidadãos. E que tal aproveitar para verificar o real poder de utilidade das redes sociais?
Vamos centralizar nesse espaço todas as informações úteis que pudermos para de alguma forma auxiliar e minimizar os transtornos e as dores causadas pelas águas desgovernadas, sendo elas originadas da própria natureza ou da intervenção do homem. Boralá?
PS: A foto que ilustra o cabeçalho desse post foi encontrada na internet por mais um colaborador. Tentamos buscar a fonte original dela, mas não conseguimos encontrar. Portanto, se alguém souber o nome do fotógrafo que fez essa foto, por favor entre em contato para que possamos dar o crédito e ter sua permissão garantida.


Olá, pessoal…
Publiquei um post no meu blog falando sobre o movimento e o site.
Espero que ajude de alguma forma:
http://cgredes.blogspot.com/2010/01/uniao-online-pelas-vitimas-das.html
E Cris, que bom que gostou da foto que enviei. Vou entrar em contato com o Blog onde achei pra tentar encontrar o fotógrafo…
Me ofereço para ajudar no que for necessário.
Chris, parabéns pela iniciativa!
Também estou disposta a ajudar.
É isso mesmo, é hora de começar a fazer, os detalhes ficam para depois.
Excelente a iniciativa. Divulguei no meu blog:
http://meulugarsp.blogspot.com/2010/01/enchentes-mobilizacao.html
Cris,
realmente, estamos todos de parabéns. Todos que nos emocionamos com as primeiras imagens da tragédia, mas não ficamos de braços cruzados. Cenas cruéis demais, mas que não foram suficientes para nos manter imobilizados. Foi triste e está sendo triste, ter que cancelar as férias num dos lugares mais lindos do Brasil e do mundo, depois de meses de pesquisa, etc…e tal. Mas começar o ano, participando do #projetoenchentes foi, de fato, começar um ano, fazendo…e não apenas, falando. Tomara que essa seja apenas a primeira de muitas outras iniciativas como essa. Não sobre tragédias, claro, mas sobre trabalho colaborativo e voluntário e ajuda ao ser humano.
Obrigada pela oportunidade.
beijos, Marisa
PS.: aproveito para me colocar, de novo, a sua disposição como redatora do #projetoenchentes.
Cristina,
Parabéns pela iniciativa.
Já estou divulgando seu blog também!
http://www.plantaoonline.com/wordpress/?p=2260
Espero que ajdude!
Abraços,
Simone
Eu estava num sítio depois de Paraty com um grupo de amigos da nossa banda e nunca vi tanta água na minha vida.
Como estávamos meio que “ilhados” entre as cidades, só tive noção do tamanho da catástrofe lendo os jornais e na volta pra casa, com inúmeras barreiras pela estrada.
Confesso que, como profissional de Comunicação, a primeira coisa que pensei antes de pegarmos o carro para voltar era que eu precisava de um serviço que me dissesse se dava para voltar ou não e por onde. Até tentamos conectar, mas o sinal por lá estava muito ruim. Conseguimos a informação com a Polícia Rodoviária.
Por isso, parabéns pela iniciativa e podem contar comigo também, estou impressionada com os acontecimentos e me sentindo sortuda por não termos passado por nenhum susto grande.
Acho válido tentar fazer esse material que vcs estão criando virar um impresso tb com o compilado de todas as informações colaborativas, para ser distribuído nos postos da polícia Federal ao longo das estradas e cidades vizinhas. Muita gente ficou nas cidades próximas.
Até logo.
Oi Cristiana, entendo muito bem o seu receio de dizer o nome da profissão na hora de trocar cartões de visita, pois também sou publicitário por formação (pior que a nossa só Relações Públicas ou gari…rsrs). Parabéns pela iniciativa. Parabéns pela sensibilidade. Parabéns pela praxis. E pode contar comigo naquilo que for necessário. Emilio (@PoeTwittar).
Olá Cristiana, aqui é Christina, da equipe do site Nós da Comunicação, tudo bem? Também queremos participar do ‘Projeto Enchentes’. Você poderia nos conceder uma entrevista sobre a sua iniciativa?
Por favor, entre em contato.
Desde já agradeço.
Abs,
Christina
Parabéns Cristiana Soares e a todos os seus colaboradores. Ouvi falar sobre você ou seja o seu trabalho, hoje, na CBN. E fico muito orgulhosa de saber que existem pessoas como voces.
Já a bastante tempo venho querendo ajudar. Desde quando aconteceu aquela enchente no Sul.
Sabemos que quando acontece catástrofes todos se mobilizam, graças a Deus.
Mas e depois? O tempo passa e essas pessoas que perderam tudo ou quase tudo, como ficam? Então pensei porque não fazer um site chamado http://www.adoteumafamília.com ou um blog. Este site ou blog, funcionaria cadastrando as famílias. As pessoas que quisessem participar escolheriam uma dessas famílias para ajudar. Se faria uma lista básica. Exemplo: Uma família de quatro pessoas. Vai precisar de quatro pratos, copos garfos,facas, colher. 1 Panela para fazer arroz,uma pra feijão e etc…. Vai precisar de uma cama de casal , duas de solteiro e roupas de cama e assim por diante. E conforme a família fosse recebendo o q estivesse na lista esses produtos apareciam na lista dela como recebido. Eu por exemplo, tenho na minha casa um colchão do meu filho quando ele era bebê. Tenho uma cama desmontada de solteiro que quebrou em um dos lados que qualquer marceneiro conserta, está novinha. Estou pr’a comprar uma geladeira maior ,vou dar a antiga. Fora tantas quinquilharias q não sei onde coloco. Porque então não doar para essas pessoas. Se eu não tenho aquele produto da lista, vou tentar com amigo(s) e assim eles também passaria a adotar essa família. O ideal seria conversar com essas famílias para ver o q conseguiram salvar e o que vão precisar.
Com um intermediário conhecido, para que não aconteça desses produtos não chegarem a essas pessoas e serem desviados como muitas vezes acontece.
O que voce acha da idéia? Só que não sei como fazer isso funcionar!
Mais uma vez Parabéns.
Estamos na França com o PAHLBrasilSustentável – Plano de Ação de Humanos Livres.
Acabamos de chegar de Copenhaguen – Dinamarca e estamos indo em direção à Africa em fevereiro com este projeto que articula bases comunitárias para a sustentabilidade com a Pedagogia Maia de reorganização socialAmbiental.
Estamos com esta Pedagogia a serviço do Planeta, e se pudermos apoiá-los estamos prontos.
Abraços de Força e LUZ !!!
Elishi Tami Sinai
Gostaria de pedir desculpas a todos por não estar conseguindo responder os comentários. Estou mergulhada até o pescoço na organização desse projeto. São quase 5h da manhã e ainda não terminei as tarefas “do dia”. Prometo que, assim que as coisas derem uma acalmada, voltarei aqui com mais tranquilidade, ok? Enquanto isso, não deixem de se manifestar. Porque os comentários estão sendo lidos sim. Por mim e por todos os outros que por aqui passam. Um grande abraço coletivo e obrigada por participarem
Muito bacana mesmo a proposta. Estou dentro ! E queria lhe falar de 3 assuntos:
1) O site da defesa civil (http://www.defesacivil.gov.br/index.asp) tem um “como agir em caso de desastres” , inclusive enchentes.
2) Ontem vi um projeto da Defesa Civil – Projeto Alerta 199 (http://www.alerta199.com.br/), que ainda me parece incipiente, mas acho que um contato com eles vale a pena.
3) Quero passar para vcs este vídeo sobre a situação do elevado do Joá, no RJ, recebido através de uma amiga, que me assustou, twittei ontem no Blog_da_ro , chamando a atenção para #arquitetos:
E pra quem mora ou passa no RJ, outra possível tragédia anunciada: Elevado do Joá : http://migre.me/fx4q #arquitetos atenção!!!!
No mais, contem comigo! Vou twittar sobre vcs !
abs
Rosana
Está sendo organizada uma ação para envio de donativos para São Luis do Paraitinga através de um caminhão que partirá de São Paulo essa semana. Vale o que cada um puder ajudar… Eles precisam de água, leite em pó, fraldas descartáveis (infantis e geriátricas), roupas, alimentos, lanternas, colchões e o que mais cada um puder oferecer. As doações serão recolhidas no prédio da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing) com sede à Rua Dr. Álvaro Alvim, 123 a partir de hoje das 15h às 21h e nos dias 5 e 6 das 10h às 21h.
Também estão sendo recolhidas doações na loja do Pão de Açúcar na r. Teodoro Sampaio, 1933, Pinheiros.
Adorei a idéia da Zilda Tondella, de um site “Adote uma família”. De fato, o problema é operacionalizar essa idéia… No caso de São Luís do Paraitinga, lembrei-me de uma amiga muito ligada à cidade, é possível até que ela já tenha visto esse site “Projeto Enchentes” e os comentários, vou checar. Enquanto isso, estou agora mesmo separando roupas para mandar para lá. E vou postar o site em minha página no Facebook. É um começo.
Acabei de ler esse blog em meio a uma tempestade. Estou no trabalho.
Sou micro-empresário. Tenho um cyber e loja de informática.
Queria poder ajudar de alguma forma com colaboração em qualquer quesito.
Fotos, informações do meu bairro ( Zona leste – São Paulo ), noticias pelo Brasil.
Enfim, poder valer apena essa iniciativa e colaborar positivamente.
Não podemos mudar o mundo, mas com pouco podemos mudar. E isso vale muito!
Como Santa Catarina já passou por isso, posto minha contribuição em forma de um Case do nosso Estado, que deve ajudar, e muito, no fortalecimento deste blog.
Parabéns pela iniciativa,
Fraternalmente,
Thiago Paulo
Segue o link http://www.desastre.sc.gov.br/
Olá Cristiana. Sou repórter da TV do Portal PUC-Rio Digital. Será que podemos conversar sobre essa dua iniciativa? Me envie a resposta por e-mail ou pelo twitter.
E parabéns pela iniciativa. No que precisar, estamos aí.
Muito legal a ideia e a mobilização! No que puder ajudar, contem comigo! Fiquei sabendo hoje e divulguei no Twitter agora. Abs