“uma Veneza, porém sem o glamour “
“Tudo muito inusitado. Em questão de minutos, que fique claro, poucos minutos, tudo mudou. O céu escureceu, o vento se intensificou e quando me dei conta, as peças que estavam no varal rodopiavam no quintal junto às folhas das plantas. Os raios iluminavam o céu enquanto as casas ficavam escuras, sem luz e sem telefone. Quinze minutos foram o bastante para que o tapete da entrada da casa ficasse coberto por gelo. Apedrejadas pelo granizo, as telhas não resistiram. Ficaram destroçadas. Portas e janelas arranhadas, como se fossem travessuras de crianças entediadas. Quando as trovoadas cessaram, o que caía já não era mais gelo e nem troncos de árvores: pude finalmente sair de casa sem medo de algo bater em minha cabeça, exceto o medo de um raio, vai saber! Sob a fina chuva que molhava minhas roupas, caminhei tentando reconhecer o jardim que um dia minha casa já teve, e lá fora, na rua, fui obrigado a parar se não quisesse ser levado pela água que transformara minha pequena cidade, São Caetano do Sul, em uma Veneza, porém sem o glamour habitual que a bela cidade Italiana possui.”



