PROPAGAÇÃO DE DOENÇAS

A Secretaria da Saúde alerta a população para tomar cuidado com as águas de enchentes, alagamentos e formação de locais enlameados, pois podem favorecer o aparecimento de leptospirose. A doença é causada por uma bactéria presente na urina de ratos que, com as chuvas, se mistura às águas de valetas, lagoas e cavas. Essa bactéria penetra no corpo humano através de pequenos ferimentos na pele. Para evitar casos da doença, a população deve tomar alguns cuidados em caso de contato com água contaminada.

O período de incubação da doença é, em média, de sete a 14 dias após o contato com a água contaminada. Assim, a doença só poderá ser detectada com maior segurança com a realização de exames laboratoriais feitos uma semana depois do início dos sintomas, quando o médico deve ser procurado, para poder iniciar o tratamento precocemente.

Os primeiros sinais da doença são febre alta, mal-estar, dores de cabeça constantes e intensas, dores pelo corpo, principalmente na panturrilha (barriga da perna), cansaço e calafrios. Também são freqüentes dores abdominais, náuseas, vômitos, diarréia e desidratação. É comum que os olhos fiquem amarelados. Em algumas pessoas os sintomas reaparecem após dois ou três dias de aparente melhora, podendo evoluir para um quadro grave de insuficiência renal e respiratória.

Cuidados importantes antes e depois da enchente:

• Não jogar lixo ou objetos nos rios. Isso represa as águas e com a chuva pode causar enchentes;
• Não brincar ou nadar em lagos e córregos nem nas águas de enchente;
• Evitar contato com água e lama, usando sempre botas e luvas de borracha, ou sacos plásticos amarrados nos pés e nos braços;
• Colocar o lixo em sacos plásticos e em recipientes tampados, para evitar a proliferação de ratos;
• Inutilizar alimentos naturais ou preparados assim como medicamentos que entraram em contato com a água da enchente;
• Manter os quintais sempre limpos, evitando acumular entulhos que favoreçam o esconderijo de ratos;
• Guardar os alimentos em lugares secos e dentro de recipientes fechados;
• Colocar telas nos ralos para evitar o acesso de roedores;
• Solicitar água da Sanepar ou prefeitura no caso de falta de água;
• Não usar água de poço inundado, antes da desinfecção;
• Lavar e desinfetar utensílios e a caixa de água;
• Usar água sanitária (ou a solução de hipoclorito) para tratar a água de beber e cozinhar
• Lavar a residência com água limpa e desinfetante.

Cuidados com a saúde nas enchentes

As enchentes aumentam os riscos de contágio de doenças como a leptospirose, a hepatite e diarréias agudas. Nas enchentes o sistema doméstico de armazenamento de água pode ser contamina e, por isso, uma das primeiras providências deve ser a de desinfetar os reservatórios de água, mesmo quando não tenham sido atingidos diretamente pelas águas da enchente. O motivo é que a rede de distribuição de água pode apresentar vazamentos que permitem a entrada de água poluída, contaminando os reservatórios domésticos.

Para limpar e desinfetar reservatórios domésticos de água recomenda-se esvaziar completamente a caixa ou o tambor onde a água é guardada, retirando toda a sujeira com ajuda de panos, baldes e pás, e lavar o recipiente esfregando bem as paredes e o fundo. Após concluída a limpeza colocar um litro de água sanitária ( ou hipoclorito de Sódio diluído na proporção de 2,5%) para cada mil litros de água do reservatório. A seguir deve-se abrir a água para que a caixa fique cheia. Aguardar 30 minutos e, então, abrir o registro de saída da caixa por alguns segundos de modo a que a tubulação fique cheia do líquido. Atenção: não abra as torneiras de casa durante 30 minutos para a completa desinfecção tanto do reservatório como da tubulação.

Após o período de 30 minutos deve-se abrir todas as torneiras, esgotando-se a água. (Pode-se usar essa água para fazer limpeza do chão e das paredes das casas atingidas pela enchente). Se você não tem uma caixa de água ou um barril, faça o seguinte cálculo: para um balde de vinte litros deve-se usar quatro chícaras de café de água sanitária.

OUTRAS DICAS – Em casos de enchentes todos devem permanecer o menor tempo possível em contato com as águas. Se isso for impossível, as mãos e os pés devem ser protegidos por botas e luvas. Se isso também não for possível pode-se improvisar proteção amarrando os pés e as mãos com sacos de plástico (desde que não estejam furados).

As lamas das enchentes têm alto poder infectante. Ela adere aos móveis, paredes e chão. Recomenda-se tirar essa lama, também com pés e mãos protegidos. O local deve ser lavado e desinfetado com água sanitária. Não se deve permitir que crianças brinquem nas águas das enchentes sob o perigo de ficarem seriamente doentes.

É muito importante, também, o cuidado com os alimentos pois, quando entram em contato com as águas das enchentes, podem ficar contaminados. Por isso deve-se manter os alimentos não perecíveis acondicionados em recipientes fechados, longe do alcance de roedores, insetos e outros animais. Lave sempre as mãos, com sabão e água limpa, antes de manipular os alimentos.
FONTE: www.saude.mt.gov.br

LEPTOSPIROSE

Aspectos Epidemiológicos :

A leptospirose é uma doença infecciosa aguda, de caráter sistêmico, que acomete o homem e os animais, causada por microorganismos pertencentes ao gênero Leptospira. A distribuição geográfica da leptospirose é cosmopolita, no entanto a sua ocorrência é favorecida pelas condições ambientais vigentes nas regiões de clima tropical e subtropical, onde a elevada temperatura e os períodos do ano com altos índices pluviométricos favorecem o aparecimento de surtos epidêmicos de caráter sazonal. É uma zoonose de alta importância devido aos prejuízos que acarreta, não só em nível de saúde pública, face à alta incidência de casos humanos, como também econômicos, em virtude do alto custo hospitalar dos pacientes, da perda de dias de trabalho e das alterações na esfera reprodutiva dos animais infectados.

Agente Etiológico:

O gênero Leptospira é um dos componentes da família dos Espiroquetídeos, onde estão reunidos os microrganismos com morfologia filamentosa, espiralados, visualizados apenas pela microscopia de campo escuro e de contraste de fase, com afinidade tintorial pelos corantes argênticos. Nesse gênero aceita-se atualmente a existência de duas espécies: L.interrogans e L.biflexa, as quais reúnem, respectivamente, as estirpes patogênicas e aquelas saprófitas de vida livre, encontradas usualmente em água doce de superfície.A diferenciação em espécie apoia-se nas características de crescimento em meios de cultivo enriquecidos; no entanto, do ponto de vista taxonômico, as características antigênicas decorrentes de antígenos de parede, com natureza lipoproteica, possibilitam as diferenciações sorológicas que superam a cifra de 200 exemplares para a espécies L. interrogans, as quais com base em relações antigênicas são reagrupadas em sorogrupos.

Dentre os fatores ligados ao agente etiológico que favorecem a persistência dos focos de leptospirose, especial destaque deve ser dado ao elevado grau de variação antigênica; relativo grau de sobrevivência em nível ambiental em ausência de parasitismo (registros experimentais referem até 180 dias desde que haja alto nível de umidade, proteção contra os raios solares e valores de pH neutro ou levemente alcalino); ampla variedade de vertebrados suscetíveis, os quais podem hospedar o microorganismo.

Reservatório e Fonte de Infecção:

Os roedores desempenham o papel de principais reservatórios da doença, pois albergam a leptospira nos rins, eliminando as vivas no meio ambiente e, contaminando água, solo e alimentos. Dentre os roedores domésticos (Rattus norvegicus, Rattus rattus e Mus musculus), grande importância deve se dispensar ao R. norvegicus, portador clássico da L. icterohaemorraghiae, a mais patogênica ao homem.

Modo de Transmissão:

A infecção humana pela leptospira resulta da exposição direta ou indireta à urina de animais infectados. Em áreas urbanas, o contato com águas e lama contaminados demonstram a importância do elo hídrico na transmissão da doença ao homem, pois a leptospira dela depende para sobreviver e alcançar o hospedeiro. Há outras modalidades menos importantes de transmissão como a manipulação de tecidos animais e a ingestão de água e alimentos contaminados. A transmissão de pessoa a pessoa é muito rara e de pouca importância prática. A penetração do microorganismo se dá pela pele lesada ou mucosas da boca, narinas e olhos, podendo ocorrer através da pele íntegra, quando imersa em água por longo tempo.

Período de Incubação:

Varia de um a vinte dias, sendo em média de sete a quatorze dias.

Período de Transmissibilidade:

A infecção inter-humana é rara, sem importância prática.

Suscetibilidade e Imunidade:

A suscetibilidade no homem é geral, porém ocorre com maior freqüência em indivíduos do sexo masculino na faixa etária de 20 a 35 anos, não devido a uma preferência do agente a estes indivíduos, mas por estarem mais expostos a situações de risco. A imunidade adquirida é sorotipo específica, podendo incidir mais de uma vez no mesmo indivíduo, porém, por sorovares diferentes. Tradicionalmente, algumas profissões são consideradas de alto risco, como trabalhadores em esgotos, algumas lavouras e pecuária, magarefes, garis e outras. No Brasil, há nítida predominância de risco em pessoas que habitam ou trabalham em locais com más condições de saneamento e expostos a urina de animais, sobretudo a de ratos, que se instalam e proliferam, contaminando, assim, água, solo e alimentos.

Distribuição, Morbidade, Mortalidade e Letalidade:

A leptospirose é uma doença de caráter sazonal, intimamente relacionada aos períodos chuvosos, quando há elevação dos índices pluviométricos e um conseqüente aumento na incidência de casos da doença. É uma doença endêmica, sendo comum o surgimento de casos isolados ou de pequenos grupos de casos, tornando-se epidêmica sob determinadas condições, tais como umidade e temperaturas elevadas e alta infestação de roedores contaminados. A doença ocorre tanto em nível rural quanto urbano. Na segunda, adquire um caráter mais severo, devido à grande aglomeração urbana de baixa renda morando à beira de córregos, em locais desprovidos de saneamento básico, em condições inadequadas de higiene e habitação, coabitando com roedores, que aí encontram água, abrigo e alimento necessários à sua proliferação. A presença de água, lixo e roedores contaminados predispõe à ocorrência de casos humanos de leptospirose. No Brasil, durante o período de 1985 a 1997, foram notificados 35.403 casos da doença, variando desde 1.594 casos anuais (mínimo) em 1987, a 5.576 em 1997 (máximo). Nesse mesmo período, houve 3.821 óbitos, variando desde 215 em 1993 (mínimo) a 404 óbitos em 1988 (máximo). A letalidade da doença nesse período variou de 6,5% em 1996, a 20,7% em 1987, numa média de 12,5%, dependendo entre outros fatores, do sorovar infectante, da gravidade, da forma clínica, da precocidade do diagnóstico, do tratamento e da faixa etária do paciente.

HEPATITES VIRAIS

Aspectos Epidemiológicos :

O termo hepatites virais refere-se a um grupo de infecções cujos agentes etiológicos são vírus que possuem como principal característica o tropismo primário pelo fígado. As principais características destes cinco tipos de vírus que causam hepatites resumem-se no Quadro 1.

Quadro 1 – Principais Características Epidemiológicas dos Vírus que Causam a Hepatite

Tipos De Vírus Material Genético Período de Incubação Via de Transmissão Risco de Cronificar
A RNA 15-45 dias fecal-oral inexistente
B DNA 30-180 dias sexual, parenteral, sangue e hemoderivados, procedimento cirúrgico/odontológico, solução de continuidade (pele e mucosas), mãe-filho alto

(90% nos neo-natos e

5-10% nos adultos)

C RNA 15-150 dias parenteral, sangue, hemoderivados e sexual alto (85%)
D RNA 30–50 dias (*) idem ao ítem b alto

(79% na superinfecção e menor que 5% na co-infecção)

E RNA 28-48 dias fecal-oral inexis

Mais recentemente, no ano de 1995, foi descrita a descoberta de um novo membro dos vírus causadores de hepatite, este foi denominado como “G”. Trata-se de um vírus RNA da família dos Flaviviridae, que pode causar hepatite aguda e crônica em um pequeno número de casos de hepatite não A-E, cuja transmissão tem sido descrita entre receptores de sangue e hemoderivados, usuários de drogras endovenosas e hemodialisados. O seu período de incubação pós-transfusional é de 2-4 semanas. Através de estudos que utilizaram a técnica de reação de amplificação de ácidos nucléicos, o vírus da hepatite G (VHG) tem sido encontrado nas populações dos Estados Unidos, Europa, Austrália, Japão e Brasil. Este novo agente infeccioso ainda é motivo de estudo. Outros vírus, esporadicamente, podem produzir hepatites agudas que são clínica e bioquimicamente semelhantes aos tipos acima mencionados; entre eles se destacam o Citomegalovírus, o vírus Epstein-Barr e o vírus da Febre Amarela.
FONTE: AmbienteBrasil, Fundação Nacional de Saúde


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